HENRIQUE, O INFANTE
Poucas figuras históricas marcaram tão profundamente a
existência de Portugal na sua configuração e na sua relação com o mundo e de
forma tão radical e transformadora como o infante D. Henrique.
Despojado do mito, D. Henrique não é apenas o Navegador, mas
é antes um príncipe preocupado com o seu senhorio e com a sua influência
política; um cortesão que sabia influenciar e enlear as demais figuras da
corte, através de uma simpatia que o colocou sempre acima das divergências que
dividiam os membros da família real; um guerreiro que desejava ardentemente
participar na guerra santa; que se cobriu de glória em Ceuta mas que enfrentou
o desastre em Tânger.
Acompanhar a vida de D. Henrique permite-nos observar o país
no momento extraordinário da sua refundação – o pequeno e periférico reino
peninsular que se tornou numa potência marítima. E ele, D. Henrique, o duque de
Viseu, senhor da Covilhã, governador da Ordem de Cristo, senhor dos
arquipélagos da Madeira e dos Açores e do barlavento algarvio, mas também o
detentor do monopólio das saboarias, da pesca do atum, da produção do pastel ou
da pesca do coral, príncipe cioso de todos estes domínios foi o agente decisivo
na evolução política do reino. Um homem que, afinal, ficaria famoso por ter
provocado um movimento novo e transformador da Humanidade, os Descobrimentos.
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